Audiência Pública discute privatização da Trensurb
Os trens transportam cerca de 200 mil pessoas por dia no eixo norte da Região Metropolitana de Porto Alegre. Para continuar atendendo os usuários com qualidade, o presidente do Sindimetrô/RS, Luís Henrique Chagas, defende uma empresa pública e estatal com manutenção da tarifa subsidiada. Chagas disse ainda que a Trensurb é quem deve construir e administrar o futuro metrô de Porto Alegre, sem, portanto, a privatização através das PPPs. O presidente do sindicato advertiu que quem ganha com a privatização são as empreiteiras, hoje envolvidas na Operação Lava Jato e controladoras dos principais aeroportos do país.
Para o representante da CSP Conlutas, Érico Corrêa, a categoria precisa se convencer de que sozinha não conseguirá impedir a privatização. Segundo ele, é necessário a unidade com outras categorias e organizações políticas, além dos usuários. Afirmou ainda que na política de ajuste fiscal quem sempre saí perdendo são os trabalhadores. Concluiu parabenizando o sindicato pela discussão sobre a privatização, um debate social que vai além das questões corporativas.
Conforme Sebastião Batista, dos metroviários do Rio de Janeiro, a privatização trouxe mazelas para a categoria e para os usuários. Segundo o dirigente, a segurança da empresa não tem poder de polícia, mas a orientação é para agir como se tivesse esse poder. Já para o representante dos metroviários de São Paulo, Alex Fernandes, as consequências da privatização são a precarização dos serviços, com prejuízos aos usuários. Por sua vez, Celso Borba, da Fenametro, advertiu que o começo da luta contra a privatização passa pelo combate às terceirizações.
O diretor-presidente da Trensurb, Humberto Kasper, usou uma projeção para mostrar o quanto a empresa está bem de saúde. Mostrou os avanços obtidos na área de tecnologia e salientou a expansão do trem até Novo Hamburgo e o aeromóvel. Falou da política do governo federal de “fazer mais e melhor por menos” e concluiu que a empresa tem a intenção de viabilizar projetos e procurar alternativas de financiamento.
A audiência pública foi mais um dos pontos da campanha desenvolvida pelo Sindimetrô/RS contra a privatização da empresa. Outras iniciativas serão realizadas ao longo do próximo período. Denominada “Cuidado! Você Pode Perder o Trem – Contra a Privatização e o Sucateamento do Trem”, a campanha visa conscientizar os metroviários e os usuários sobre os prejuízos causados pela privatização, entre eles, a redução na qualidade dos serviços prestados à população e o consequente aumento da tarifa. Hoje, o bilhete unitário custa R$ 1,70, já no Rio de janeiro onde o metrô foi privatizado o preço da tarifa está R$ 3,70.











