image-3816

✔️Em sua página na internet, a empresa Skyrail Bahia diz que o VLT (veículo leve de transportes), que passará pelo Subúrbio Ferroviário de Salvador, será 100% elétrico e que “sua estrutura futurista e de baixo impacto ambiental proporcionará uma nova e próspera realidade” para a região ao longo dos 19,2 quilômetros previstos de linha, onde moram mais de 600 mil pessoas. A capacidade será de 172 mil passageiros por dia.

✔️Mas a anunciada prosperidade, uma promessa bastante comum quando se trata da privatização de serviços públicos, não deverá beneficiar a maioria dos moradores do subúrbio da capital baiana. Os usuários dos trens em circulação hoje, que são operados pela estatal CTB (Companhia de Transportes da Bahia) e serão substituídos pelo VLT, pagam R$ 0,50 pela passagem cheia.

✔️Segundo o portal Bahia Notícias, pesquisa do Ministério Público Estadual (MPE), divulgada em março deste ano, revelou que 91% deles não terão condições de suportar a futura tarifa, que será igual à do metrô privado da cidade, atualmente em R$ 3,90. Conforme o portal, o levantamento feito com o apoio da Universidade Federal da Bahia (UFBA) constatou, ainda, que os trens servem principalmente para o deslocamento dos usuários até os locais de trabalho.

✔️Nos dias úteis, o volume diário de acessos ao sistema chega a 44 mil, mas cai para 5,7 mil por dia nos fins de semana, constatou a pesquisa. Além disso, 40% dos passageiros estão abaixo da linha de pobreza e 70% são beneficiários de programas sociais do governo federal.

✔️É verdade que a própria população reclama do mau estado de conservação e da insegurança do sistema atual, mas ao invés de investir na melhoria do serviço para garantir transporte barato e de boa qualidade à população mais pobre, o governo estadual resolveu entregar a operação para a Skyrail por meio de uma parceria público-privada (PPP).

✔️Ainda conforme o Bahia Notícias, o governo baiano informou que não poderia implantar uma tarifa reduzida para os usuários de baixa renda devido à “complexidade” de se estabelecer uma linha de corte e porque teria que aumentar o subsídio já previsto para manter o valor da passagem equivalente ao cobrado pelo metrô da cidade.

📷 CTB Divulgação